HOMOSSEXUALIDADE E ADOLESCÊNCIA


Filhos gays: como os pais podem vencer o preconceito

Seu filho revelou que é gay? Saiba como ajudá-lo a se aceitar e mantenha a família unida, feliz e sem preconceito

Atualizado em 13/07/2011
Rafaella Souza
Conteúdo do site ANAMARIA
Casal Gay
Lembre-se sempre: ser homossexual não é uma escolha
Foto: Gatty Images
De repente, seu filho mudou. Está ausente, fala pouco, parece pedir ajuda. Você sabe que ele está angustiado, mas tem medo de perguntar motivo. Até o dia em que ele desabafa: "Mãe, sou gay". "Onde eu errei?". "O que vão dizer?".  Não questione nada disso. Qualquer palavra errada nessa hora pode doer mais do que uma surra de homofóbicos (quem tem aversão a gays) na rua.

O coração não escolhe

Pense bem. Você sempre sonhou que seu filho encontraria uma pessoa bem-sucedida, de bom caráter, inteligente para amar. E se essa pessoa for do mesmo sexo? "Lembre-se: ser gay não é uma opção, ninguém escolhe a quem desejar. O desejo nasce e pronto", orienta Claudio Picazio, psicólogo com especialização em sexualidade humana, autor do livro Uma Outra Verdade - Perguntas e Respostas para Pais e Educadores sobre Homossexualidade na Adolescência (Ed. GLS).
Pense que já bastam os obstáculos que seu filho enfrentará, então, não seja mais um na vida dele. O que importa mais: a felicidade dele ou o que os outros vão falar? Ofereça a mão a seu filho, dê colo quando ele precisar e, juntos, vocês vencerão o preconceito.

De quem é a responsabilidade?

Muita gente pensa que um filho gay é o resultado de mães superprotetoras ou pais ausentes. "Ser homossexual não é uma escolha", enfatiza Claudio. Então não é nada que você tenha feito de errado na infância dele, não foi falta nem excesso de zelo.
Qual ajuda que posso oferecer pra ele sair do armário?
O ideal é manter uma relação aberta com seu filho desde a infância, conversar e responder com naturalidade às perguntas mais constrangedoras.
E também não dizer frases preconceituosas. Por exemplo, ao ver um casal homossexual na novela, não julgue: "Isso é falta de vergonha, é pecado".

Como ajudá-lo a superar o preconceito

Em casa: ao descobrir que o filho é gay, a maioria das mães prefere esconder a revelação do pai. "É preciso conversar com o pai e juntos darem suporte ao filho", orienta Claudio.
Na família: nada de fazer seu filho consolar você depois que aquela tia fez piadinha porque ele é gay. Você tem que se fortalecer para apoiar seu filho.
Na escola, no cursinho ou na faculdade: não é porque o menino é frágil e a menina não anda só de cor-de-rosa que eles são homossexuais. A certeza costuma aparecer na puberdade, com o aumento da atividade hormonal. Agora, se o jovem é diferente dos colegas e sofre na mão deles, sugira à escola palestras contra homofobia e de promoção da educação sexual.

Boas respostas pra gente xereta

Seu filho não vai lhe dar netos! Ué, por que não? Se ter filhos for um desejo para ele e seu companheiro, ele pode adotar uma criança ou fazer inseminação artificial em uma amiga. Se eu quiser muito uma criança, eu mesma posso providenciar uma.
O menino foi mal encaminhado? Ele está no caminho certo para ser feliz.
Ele é assim porque você o mimou demais! Excesso de amor não torna ninguém homossexual, só desenvolve a capacidade de a pessoa amar.
Uma pesquisa sobre homofobia no Brasil revela: os principais agressores dos homossexuais são da própria família. O Fantástico abriu uma linha especial pra ouvir essas histórias. 

“Violência física, discriminação, humilhação e ameaça. Meus dois irmãos também não aceitam, não falam comigo. Eles falam que eu tenho uma doença”.

O relato é de um jovem que tem medo e prefere não mostrar o rosto. Ele descreve o tipo mais comum de agressões a homossexuais no Brasil. Segundo um relatório pioneiro da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, os principais agressores são da própria família.

“É como se eu morasse em casa, mas fosse um estranho. Eu me sinto um estranho hoje. Eu não me sinto um membro da família”, diz.

A amostra é grande: o estudo analisou quase sete mil denúncias de violência física e psicológica. Os casos foram registrados principalmente pelo Disque 100, um serviço de denúncias contra violações dos direitos humanos.

“Justamente para que no momento em que a pessoa faz a denúncia, ela seja recebida com todo o respeito e exista uma investigação. Nós identificamos também que as circunstâncias de impunidade também no caso dos crimes de caráter homofóbico contribuem para a continuidade dessa violência”, diz a ministra da Secretaria de Direitos Humanos Maria do Rosário.

A maior parte das agressões aconteceu dentro de casa. E mais: são as mães quem mais agridem os filhos por serem gays. A professora universitária Edith Modesto sabe há 20 anos que seu caçula é homossexual. E há 15 comanda uma instituição para reaproximar pais e mães de seus filhos gays.

“Para uma mãe é muito difícil. Falou homossexual hoje em dia a maioria das pessoas já aceita, como filho do vizinho. Mas filho da própria pessoa ainda é difícil”, diz Edith Modesto, presidente do Grupo de Pais de Homossexuais.

Ela diz que muitos filhos têm medo de como os pais vão reagir. “Uma vez, um deles me falou e eu nunca mais me esqueci. Ele falou ‘Edith, para o meu maior amigo eu já contei, porque se eu perder o meu amigo, eu posso arrumar outro. Mas se a mãe não me quiser mais, como eu vou fazer?’”, conta Edith.

Para Felipe, que trabalha no grupo como voluntário, o mais difícil foi contar para a mãe. “Eu tinha medo de falar, mas ‘eu acho que ela vai agir diferente, acho que não vai ser assim’”, conta o estudante Felipe Santos Mário.

Mas foi. “Tivemos um desentendimento, ela me bateu e aí dois dias ou um dia depois eu saí de casa. Ela falou: ‘olha, eu não quero mais você aqui porque não dá, você não muda e eu não aceito. Meu filho pra mim morreu quando você falou que era homossexual’", lembra Felipe.

O Fantástico abriu um canal exclusivo para ouvir histórias de homofobia. Foram 50 relatos em apenas 24 horas. São casos de humilhações, ameaças e agressões contra filhos, netos e irmãos.

“Durante três ou quatro anos foram violências constantes. Surras, meu pai me jogava no chão e batia com os dois pés em cima de mim. Meu pai falava que ia orar para Deus para Deus me matar, para Deus me levar porque ele não queria ter filho homossexual”, relata um homossexual.

“Ele chegou em casa e começou a me agredir. Disse que eu pagarei tudo que eu faço, ele me ameaçou, ele disse que eu morrerei de câncer pelas coisas que faço”, diz outra.

A violência não é sempre física. Mas o sofrimento é indisfarçável. “Eu vejo meus primos crescendo, meus primos levando as suas respectivas namoradas para um encontro de família e eu não poder levar a minha. Isso é muito triste para mim porque é uma discriminação na minha família”, reclama mais uma.

A jovem que gravou esse depoimento também não quis mostrar o rosto. “Eu queria ter amigos na minha casa, é uma coisa que eu não tenho. Eu convivo com os meus avós desde que eu nasci e hoje, depois que eles descobriram que eu sou homossexual, não existe mais paz na minha casa, não existe mais diálogo. Eu vivo com dois estranhos. Eu não escolhi ser assim, eu simplesmente sou assim. A única coisa que eu queria pedir para eles é que eles me respeitassem”.

Rede Globo



Psicanalisando:
Freud não atribuiu à homosexualidade um caráter de anomalia e de comportamento perverso, também não considerava que os homossexuais cometessem atitudes contra os outros seres humanos, portanto não os considerava diferentes dos outros seres humanos. Segundo Freud qualquer pessoa poderia escolher um objeto amoroso do mesmo sexo,  porque  existe uma bissexualidade psíquica constituinte do humano. Objetou atitudes discriminatórias em relação aos homossexuais do seu período, assim como qualquer forma de opressão direcionada aos mesmos.

Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade em 190, Freud se colocou contra os teóricos que atribuem à homossexualidade um caráter de degenerescência.
Já em 1920, na análise de um caso de uma jovem homossexual, Freud subverte ainda mais a perspectiva até então corrente. Articula como uma das possibilidades de discussão a respeito da homossexualidade pensá-la enquanto conseqüente da bissexualidade que existe em estado latente em todo sujeito e propõe como inútil a atitude de buscar “curar” um sujeito homossexual de sua orientação e que a psicanálise não deveria efetuar um tratamento com tal objetivo. Esclarece que é da competência do analista somente buscar elucidar o trilhamento da libido que culminou na escolha de objeto e pesquisar seus mecanismos.

Em 1935, em carta dirigida à uma mulher que se mostrava aflita pela escolha homossexual do filho, escreve: “A homossexualidade, evidentemente, não é uma vantagem, mas não há por que ter vergonha disso, não um vício, nem um aviltamento e não poderia ser qualificada como doença (…) é uma grande injustiça perseguir a homossexualidade como um crime e também uma crueldade” (Freud, 1935 apud Roudinesco, 2009, p. 49).


Para mim, acordo com as palavras de Freud, não considero doença e nem opção sexual; acredito que se o indivíduo pudesse escolher não seria homossexual, devido às muitas dificuldades e sofrimento que os vitimizam, primeiro em "se aceitar", segundo a aceitação da família e após da sociedade.
Tenho amigos gays e são bem resolvidos, porque recebem o apoio da família e amigos, e mais importante, se aceitam, por isso são felizes.

Caso Clínico:

Uma mãe que me trouxe seu filho adolescente, de início dizia que estava tendo dificuldades na escola com as matérias e depois que ele tinha problemas pela forma como "ficava em pé", com um pé a frente do outro e pelo jeito de falar, queria que eu o "curasse"; Já na Anamnese percebi, seus reais medos, de que o filho fosse homossexual, não lhe disse nada a respeito e começamos as análises; O garoto apresentava a "língua presa", talvez por isso sua mães não gostasse de como falava, muito inseguro, com muita tristeza no olhar e grande carência afetiva materna e total paterna, visto que os pais eram separados; Soube depois pela mãe que o pai do garoto gostava de usar lingeries (talvez o pai seria cross-dressers?) mas que era homem, daí vinha seu medo que o filho fosse homossexual.
Primeiramente trabalhamos a carência afetiva materna com bons resultados, houve uma aproximação com a mãe que aliviou a carência e o tornou mais feliz a olhos vistos, e como no momento não havia a possibilidade do encontro com o pai, seguimos para a área da sexualidade.

Assim que começamos as primeiras investidas, ele abandonou as análises..
Não me preocupei muito com isso, afinal o primeiro passo já fora dado e é o paciente que tem que querer, não adianta a pressão dos pais, assim como aconteceu com a jovem homossexual de Freud.



Visão Espírita:
Segundo Andrei Moreira, Sob o ponto de vista espírita, tem sido catalogada por muitos escritores espíritas como doença ou distúrbio da sexualidade, em franco desrespeito ao conhecimento científico atual. Não há base no conhecimento espírita para se afirmar tal coisa.

Não há uma visão que seja consenso sobre o assunto no movimento espírita, mas há excelentes textos dos espíritos André Luiz e Emmanuel nos direcionando o pensamento e a reflexão para o respeito, acolhimento e inclusão da pessoa homossexual, entendendo a homossexualidade como uma condição evolutiva natural (e o termo “natural” como sinônimo de “presente na natureza”), decorrente de múltiplos fatores, sempre individuais para cada espírito, construída ou escolhida pelo espírito, em função de tarefas específicas ou provas redentoras, incluindo aí as condições expiativas e reeducativas devidas a abusos afetivo-sexuais no passado, que parecem ser a causa determinante da maior parte das condições homossexuais, segundo a literatura espírita.

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